COP 30: Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde das Populações é um dos Pontos Principais a Ser Discutido
As mudanças climáticas e o impacto direto na saúde humana
As medidas para amenizar os impactos da mudança climática no planeta são um dos principais pontos de discussão da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), programada para acontecer entre 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA). Enquanto entidades de 132 países se organizam, cresce a preocupação com os efeitos diretos e indiretos das mudanças do clima sobre a saúde humana.
Temperaturas extremas, eventos climáticos intensos e desequilíbrios ambientais estão provocando doenças respiratórias, cardiovasculares, infecciosas e transtornos mentais. O aumento da temperatura, por exemplo, está associado a insolação, fadiga, ansiedade e depressão, além da proliferação de mosquitos vetores de doenças como dengue e zika.
Carta da OMS e o alerta global sobre a crise climática
Em 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a mudança climática como uma das maiores emergências de saúde da era moderna. Naquele ano, mais de 300 organizações, representando 45 milhões de profissionais de saúde, assinaram uma carta aberta pedindo ação imediata dos governos.
“Como profissionais de saúde, reconhecemos nossa obrigação ética de falar sobre essa crise em rápido crescimento. Pedimos que os governos cumpram suas responsabilidades, protegendo seus cidadãos e gerações futuras da crise climática.”
O professor Ricardo Heinzelmann, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), explica que o aumento das temperaturas e dos desastres naturais intensifica doenças infectocontagiosas como leptospirose, hepatites, dengue, chikungunya e zika. Além disso, incêndios florestais causados pelo aquecimento global ampliam casos de doenças respiratórias graves, como a descompensação pulmonar.
Extremos de temperatura: um risco crescente
Segundo o professor Cássio Arthur Wollmann, também da UFSM, as pessoas estão cada vez mais acostumadas a viver em ambientes quentes. Isso, porém, não elimina os riscos de ondas de frio.
“Temos um clima global que tem se tornado cada vez mais quente, mas as ondas de frio continuarão existindo. Quando atingirem um corpo ambientado ao calor, a saúde ficará extremamente comprometida.”
O contraste entre calor e frio agrava problemas circulatórios e respiratórios, especialmente entre idosos e pessoas com comorbidades.
Possibilidade de novas pandemias
A ONU alerta que o desmatamento e a perda de biodiversidade estão aumentando o risco de novas pandemias. Segundo a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), cinco novas doenças surgem por ano com potencial pandêmico.
A infectologista Moara Santa Bárbara, do Hospital das Clínicas da UFG, explica que “chuvas intensas seguidas de calor criam condições ideais para o Aedes aegypti”, mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya. Além disso, enchentes e desastres naturais aumentam os criadouros, favorecendo a propagação desses vetores.
A importância das medidas preventivas
O infectologista Hilton Alves Filho, da UFPel, ressalta que a prevenção deve ocorrer em vários níveis — pessoal, domiciliar e comunitário. Garantir água potável, saneamento e ventilação adequada é essencial para evitar surtos.
Já o pneumologista Emanuell Felipe Silva Lima, da UFT, reforça que se nada for feito até 2030, as mudanças climáticas poderão causar 250 mil mortes adicionais por ano, principalmente por doenças respiratórias.
Estudo da The Lancet reforça os dados alarmantes
Um estudo publicado pela revista The Lancet em 2024 mostrou que, em 2023, foram registrados 5 milhões de casos de dengue em mais de 80 países — um recorde histórico.
Os países mais afetados foram Brasil, Peru, México e Colômbia, mas também houve casos autóctones em EUA, Itália, França e Espanha. O risco de transmissão da dengue aumentou 11% na última década, e os idosos acima de 65 anos foram os mais afetados, com 167% de aumento nas mortes por calor desde 1990.
Qualidade do ar interno: uma questão de saúde pública
Em meio a tantas preocupações, a qualidade do ar interno (QAI) tornou-se um fator essencial de saúde e produtividade. Ambientes fechados e mal ventilados acumulam ácaros, mofo, fungos e vírus, provocando alergias, fadiga e doenças cardíacas.
Empresas estão adotando limpeza regular de dutos de ar condicionado, sistemas de purificação e sensores de monitoramento da qualidade do ar. Segundo Ana Cláudia Machado, gerente de Facilities da Shell Brasil:
“A qualidade do ar interno é tão importante quanto a eficiência dos equipamentos. É uma questão de saúde pública.”
Marúsia Feitosa, da Lenovo, complementa:
“Investir em ventilação, manutenção e monitoramento é investir em pessoas. O ar que respiramos é peça-chave para viver e trabalhar com qualidade.”
Conclusão
A COP 30, ao discutir a relação entre clima e saúde, reforça um ponto central: proteger o planeta é também proteger a vida humana. Medidas de mitigação, políticas ambientais e ações preventivas de saúde pública são indispensáveis para garantir um futuro saudável e sustentável.









